sexta-feira, 29 de Janeiro de 2010

Sim, sei bem
Que nunca serei alguém.
Sei de sobra
Que nunca terei uma obra.
Sei, enfim,
Que nunca saberei de mim.
Sim, mas agora,
Enquanto dura esta hora,
Este luar, estes ramos,
Esta paz em que estamos,
Deixem-me crer
O que nunca poderei ser.

quarta-feira, 27 de Janeiro de 2010

"Hoje, primeiro que tudo, quero ensinar-te a ser humano."

domingo, 24 de Janeiro de 2010

Teimas, teimas, teimas, teimas.. mas não tiras nada.
O que me agrada é que o Sol nasça de manhã e se ponha à noite. Nada mais me importa.
Vivo pelos movimentos do astro. Levanto-me, aparentemente desloco-me e volto a descansar.
Assim é tão fácil, parece tão fácil. Quem dera que fosse, mas não sou. Sou.
As minhas palavras são escassas. Perdem força e aninham-se na infinidade de pensamentos. Não me servem, são o tamanho abaixo, ou então engordei.
Há muito que me irrita e me irrita à muito. Mas a minha voz não chega assim tão longe. Quem dera.
Teimo, teimo, teimo, teimo.. mas não tiro nada.

terça-feira, 12 de Janeiro de 2010

também é preciso água no deserto
E por uma vez que não esteja bebida,
Mas que seja bebida por ti.

sábado, 9 de Janeiro de 2010

Texto de apresentação da cidade e da escola - Lido na Sessão Solene de Abertura da XXI Sessão Nacional do Parlamento Europeu dos Jovens


É no salgado litoral português que podem encontrar a nossa cidade: Aveiro.

Só bem perto do ano mil é que na História se toma conhecimento desta bela terra, não deixando pois desde esse momento, de se fazer notar.

Viu nascer grandes gentes, tanto das que se falará para sempre como daquelas a quem a grande voz ainda as faz lembrar, mesmo que não para os demais. Endinheiradas e de estômago vazio; pobres de espírito e ricas de ideias. Poetas e pescadores, actores e comerciantes, políticos e marnotos, Princesas Santas e perseguidores da Liberdade.

Para nós que lá vivemos, as suas ruas são límpidas e os seus edifícios contam histórias; as nossas e as desta cidade, confundindo-se por vezes.

Tudo isto se faz notar pela força reflectida nas caras dos turistas transeuntes que se passeiam pelas calçadas aveirenses, presos a cada virar de esquina através dos mais diversos factores sócio-culturais – a deslumbrante arte das Igrejas, a imponência dos monumentos, a vivacidade dos grandes jardins... E quem não se encanta pelas águas da nossa ria? Tanto em maré-cheia, tanto em vazia, no passado e no agora, ajuda a encher o prato de muitas casas, com as diversas actividades que sustenta.

Mais do que intelectualmente rica, é uma cidade que sabe o que é o bem servir, adoçando a alma dos que se atrevem a viajar pelas suas iguarias tradicionais.

Completa aos mais diversos níveis, esta terra in Alauario et Salinas foi berço do patrono da nossa escola – José Estêvão Coelho de Magalhães.

Todos nós percorremos as ruas da cidade onde repousa em eterno descanso o corpo deste grande orador parlamentar, estudamos e deparamo-nos diariamente com a sua história de vida, com o seu rosto, e é através do conhecimento dos seus feitos e da sua atitude que nós próprios vamos crescendo e, alimentando dentro de nós a necessidade da luta pelo bem comum, a necessidade da liberdade do dizer e do ser, a necessidade de diversos valores a considerar para alcançar o bem-estar e a felicidade geral. Sendo a nossa participação nesta iniciativa, uma representação dessa mesma aprendizagem que gera o envolvimento na vida política, o diálogo com vista a um bom fim, o ser capaz de agir, uma consciencialização da dimensão política inerente à gregariedade do ser – inspirados na não-passividade deste grande Homem.

A nossa escola é uma das mais antigas de Portugal e desde o primeiro dia que os seus corredores me fascinaram, já lá vão quase cinco anos. Mas, – mais do que os belos azulejos que os adornam, mais do que as altas portas que impõem um respeito avassalador, e até mais do que as decorações, quase tão antigas como o primeiro tijolo lançado sobre a terra vazia – fascinam-me os espíritos que lá se passeiam, a energia, o saber, a vontade... Conheço-a como a palma da minha mão, afinal de contas é quase como que uma segunda casa. E, olhando para trás, cresci tanto desde a primeira vez que me deparei com aquela cansada estrutura, e a estrutura já se regenerou em tantos sonos de beleza desde aí. As caras mudaram, os ideais evoluíram, os espíritos mais fortes permaneceram e os que mais facilmente se entediaram saíram, esvoaçando pelas inúmeras janelas. Mas, no entanto os corredores permanecem como estrutura fixa e todos os anos albergam novas energias, novos saberes e vontades, e todos os anos servem de conselheiros aos petizes que novamente se assustam com os grandes pilares de cimento onde se fixa perpétuamente a vontade do ensinar e aprender, a base do conhecimento.


versão inglesa de apresentação: aqui

segunda-feira, 4 de Janeiro de 2010

"The longer I live, Dorian, the more keenly I feel that whatever was good enough for our fathers is not good enough for us. In art, as in politics, les grandpères on toujours tort.

You said to me once that pathos left you unmoved, but the beauty, could fill your eyes with tears. I tell you, I could hardly see this girl for the mist of tears that came across me.

I don't know wich to follow.

She has not merely art, consummate art-instinct, in her, but she has personality also; and you have often told me that it is personalities, not principles, that move the age."